This is my life


Tradução é transformação, é mudança.
Traduzir é transformar, mudar, transformar-se... sempre.
O tradutor é ponte, instrumento de paz, compreensão, alegria (será ?)
Sempre sujeito à pressão.
Traduzir é suave sensação divina de recriar, co-criar.
É dinamismo. Vida.
É sustento material e espiritual.
É lazer remunerado.
É 'piração', satisfação, loucura mansa.
Acolhimento de pessoas, relacionamento,
Ansiedade, obstinação, fardo leve.
É abraçar palavras ou sofrer com textos ofensivos.
É brigar com o computador.
Interromper mil vezes para atender à porta,
Telefone, campaínha, carteiro, os amigos.
Reformar-se, reconstruir-se, repensar-se.
É invadir e penetrar na intimidade de um autor - é voyeurismo.
É, ao mesmo tempo, exibicionismo - sou o máximo, sei tudo e
Humildade total - Não sou nada, não sei nada.
É ser ator, atiz, intérprete.
É saber ver o cliente, antes de tudo, como gente
Que tem sentimentos, emoções, medo, desconfiança.
É curvar-se e ajoelhar-se,
Humilhar-se perante um texto.
É viver na corda bamba.
Ser aluno testado todos os dias.
É ser transparente, brilhar, iluminar.
É sentir a aflição com os prazos apertados.
Satisfação e alívio da entrega pontual.
Traduzir é lidar e se relacionar com pessoas.
É não perder o senso de humanidade.
Ser tradutor é servir de ponte entre duas culturas,
Dois mundos, dois planetas, duas galáxias talvez.
Tradução é profissão de puro prazer e aflição.
É provocação, uma santa e saudável loucura.
É paixão.
É conviver com a rotina da constante mudança
E jamais ter um dia igual ao outro.
É mudar e transformar... sempre.

Heloisa Perrone Attuy

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