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Relato sobre o 10º Congresso Internacional Abrates

Participação no 10º Congresso Internacional Abrates do ponto de vista de uma tradutora juramentada

Por Simone Barreto de Castro,
Tradutora Pública e Intérprete Comercial

No final de maio e início de junho, aconteceu aqui em São Paulo o X Congresso Internacional da Abrates no Bourbon Convention Ibirapuera Hotel.

Comecei com o pé direito porque ganhei no sorteio feito pelo Sintra uma entrada para o congresso. Obrigada Sintra pela oportunidade!

No dia 31 de maio (sexta-feira), houve a abertura do evento com palestras de Gio Lester e Judy Jenner, além do jantar de confraternização.

No dia 1º de junho, foi dada a largada para o congresso que é uma ocasião para aprender muito, repensar as estratégias da sua carreira e ver os amigos que só vemos virtualmente.

O X Congresso Internacional da Abrates teve várias palestras voltadas para tradutores públicos e intérpretes comerciais (popularmente conhecidos como tradutores juramentados).

A maioria das palestras que assisti tinha temática focada em tradução juramentada. Cada um faz seu próprio congresso porque escolhe quais palestras quer assistir, de quais oficinas vai participar, com quais colegas interagir, para quais agências apresentar seu CV. Tenho certeza de que não houve dois participantes que tiveram exatamente a mesma experiência no congresso.

No sábado pela manhã, a primeira palestra que assisti foi da colega Carolina Ventura que explicou detalhadamente o que é um TPIC (tradutor público e intérprete comercial). Uma palestra bem didática para quem tem interesse em se tornar um tradutor público e intérprete comercial.

Em seguida, veio a colega “informatizada” Ernesta Ganzo. Ela nos apresentou a certificação digital para traduções públicas. Ernesta está na vanguarda da tradução pública na era digital e vem dialogando com a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, onde exerce seu ofício, para levar a tradução juramentada para o mundo digital. Ela foi muito inspiradora para mim e quero adotar estes procedimentos em breve.

Na sequência, foi a vez de Grace Maria Leal Valias nos apresentar várias orientações e dicas sobre como amenizar e reduzir dores por má postura. Cuidar da saúde é um investimento. Talvez os tradutores que estão em início de carreira ainda não percebam, mas cuidar da postura, dos olhos, das pausas é imprescindível para trabalhar com saúde e qualidade de vida.

Depois do coffee break, foi a vez da nossa colega argentina Carina Adriana Barres nos apresentar um comparativo entre direito falimentar na Argentina e no Brasil e com algumas sugestões de tradução. Certamente este é um tema espinhoso, mas nossa colega hermana o abordou com competência e profissionalismo.

A palestra de antes do almoço foi simplesmente sensacional! Nossas colegas gaúchas Cláudia Antonini (presidente da Astrajur) e Amanda Francisco (vice-presidente) nos brindaram com a resposta para uma pergunta muito polêmica no mundo da tradução juramentada: como proceder diante das intimações que a Justiça nos faz para interpretar com os emolumentos pagos pela tabela do CNJ – Conselho Nacional de Justiça que está em dissonância com as tabelas de emolumentos das Juntas Comerciais de cada estado? Uma interpretação feita de acordo com os emolumentos pagos pela tabela do CNJ é passível de impugnação já que nosso decreto prevê que não podemos conceder descontos a quem quer que seja. Cláudia e Amanda nos guiaram até o modelo de resposta apropriado para estas ocasiões, com quadros explicativos e casos reais.

Uma pausa para o almoço que é uma excelente oportunidade para fazer networking, rever amigos reais e virtuais e estabelecer novas parcerias.

A primeira palestra da tarde foi apresentada por Roberta Borrelli, psicóloga com muitos anos de experiência, que nos fez refletir sobre vários aspectos da nossa carreira.

A segunda palestra da tarde foi de Karine Souto: “Como o LinkedIn pode te ajudar a fechar contratos”. Essa palestra foi fantástica! Karine nos apresentou a ferramenta LinkedIn como instrumento potencializador de contatos e carreiras. Ela nos deu várias dicas e nos ensinou um truque muito legal para ampliar sua rede de contatos. Valeu cada minuto!

Encerrei o primeiro dia com a palestra de Adriano Abner: “Marketing pessoal para tradutores”. A definição de marketing pessoal é aproveitar características próprias para construir uma boa imagem nos seus relacionamentos, criando oportunidades para fazer negócios.  Essa definição nos leva a algumas perguntas: o que seu cliente ganha ao escolher você e não outro? Qual é meu diferencial como tradutora? Um convite para cada um pensar sobre suas práticas comerciais e de relacionamento interpessoal.

Depois de encerrado o primeiro dia do congresso, me reuni a um grupo de tradutores públicos e fomos comemorar no Eataly. Uma delícia, tanto pelo lugar como pela companhia! Obrigada Marisol Mandarino, Carolina Diniz, Denise Lopes Rodrigues e Iris Rober pelo bate-papo agradável!

No segundo dia do congresso, a primeira palestra que assisti foi da colega e Presidente da ATP Minas, Carolina Diniz. Carolina fez um levantamento detalhado sobre as particularidades do nosso ofício, nos apresentou aspectos que não conhecíamos e terminou sua apresentação com um alerta sobre a importância de se engajar nas associações para não pecar pela omissão. Ah, ela nos apresentou seu livro “O enquadramento jurídico do tradutor público no Brasil – uma leitura crítica”, escrito em parceria com o advogado Henrique Olegário Pachêco. O livro já está na lista de leituras, Carolina!

Em seguida, Denise Lopes Rodrigues (presidente da ATP-GO) fez um relato sobre a implantação da Apostila da Convenção de Haia no Brasil, suas particularidades e a evolução do uso da Apostila no Brasil. Achei curioso saber que os estados dos EUA têm apostilas diferentes, em oposição aos demais países que usam modelo unificado em todos os seus estados e/ou províncias.

Antes do coffee break, Marisol Mandarino apresentou uma palestra que despertou minha curiosidade. Sua palestra foi “De tradutora pública a youtuber”. Confesso que estava curiosa para saber qual seria o público desta palestra e me surpreendi ao ver vários youtubers na palestra fazendo perguntas, trocando experiências e dicas. Marisol conseguiu aliar tradição à modernidade!

No momento do coffee break aproveitei para encontrar meus professores de pós-graduação Jorge Davidson e Meritxell Almarza que estavam se preparando para apresentar um tema muito interessante: “Construindo pontes entre o fazer tradutório e a academia”. Não consegui assistir a palestra deles, mas tenho certeza que foi um sucesso!

Enquanto Jorge e Meritxell apresentavam sua palestra, na sala do lado Ana Iaria falava sobre expressões latinas usadas no Direito. Ana explicou magistralmente como essas expressões são usadas no Direito e como saber seu significado em português nos ajuda a traduzir melhor.

A última palestra da manhã que assisti foi de Lorena Borges que apresentou as boas práticas para se dar bem na “Gig Economy”. A palestra foi muito interessante para novatos com várias dicas e também para mim que pude esclarecer algumas dúvidas e aprender coisas novas. Lorena apresentou uma frase que foi impactante para mim: ”Não tenha medo de crescer lentamente. Tenha medo apenas de ficar parado.”

O almoço foi no restaurante do hotel na companhia das colegas Carolina Ventura, Caroline Alberoni, William Cassemiro e sua filha Leila que é intérprete e de Sophie, representante da Plunet que apoiou o evento. O almoço, que na verdade foi um brunch, foi muito agradável. Obrigada pela companhia, pessoal!

Após o almoço, tivemos as apresentações de encerramento com Arancha Caballero, Érika Lessa, Rane Souza e ABRATES.

Além das palestrantes internacionais que nos trouxeram contribuições valiosas, Rane Souza falou sobre um projeto muito importante que é o Abrates Afro. Ela nos contou sobre o início, desenvolvimento e perspectivas futuras para esse projeto.

Ricardo Souza apresentou várias novidades sobre a Abrates: serão criadas representações regionais no Sul e no Norte-Nordeste além das divisões de língua portuguesa, inglesa, espanhola, de tradução literária, de tradução audiovisual, de tecnologia e de formação de tradutores e intérpretes. Ricardo também anunciou que os próximos congressos da Abrates serão realizados a cada dois anos.

O X Congresso Internacional Abrates foi muito proveitoso!

06/2019|